Lipedema tem tratamento sem cirurgia? O que a ciência respalda

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Dermatologia Clínica

Receber o diagnóstico de lipedema costuma vir acompanhado de uma pergunta imediata: vai precisar de cirurgia? Na maior parte dos casos, não. A revisão de estado da arte publicada no Jornal Vascular Brasileiro é clara ao posicionar o tratamento conservador como base do manejo, com a cirurgia reservada para quando essas medidas não bastam.

Por ser condição crônica, o cuidado é contínuo e combina frentes que se somam. Veja o que sustenta esse manejo.

Terapia descongestiva complexa

Considerada padrão de referência no linfedema, tem benefícios estendidos ao lipedema. Reúne quatro componentes: drenagem linfática manual, terapia compressiva, exercícios miolinfocinéticos e cuidados com a pele. Estudo randomizado mostrou que a associação com exercício produziu melhora superior em volume do membro, dor e função física em comparação ao exercício isolado.

Terapia compressiva

Deve começar cedo, já que sinais de disfunção linfática aparecem desde os estágios iniciais. Atua elevando a pressão hidrostática e otimizando o retorno venoso e linfático, além de reduzir o atrito entre dobras e melhorar a mobilidade. As diretrizes americanas orientam meias de 10 a 20 mmHg no grau 1 e de 20 a 40 mmHg nos graus 2 e 3.

Exercício e cuidado nutricional

Natação, plataformas vibratórias, elíptico e caminhada estão entre as atividades indicadas. O fortalecimento muscular tem peso próprio: pessoas com lipedema podem apresentar até 30% menos força que a média. No campo alimentar, padrões anti-inflamatórios foram associados a redução de volume nos membros. Na Clínica Leal, essa frente conta com a nutrologia.

Terapia manual para a fibrose

A fibrose é evidente desde o estágio 1 e representa um dos maiores desafios do tratamento. Estudos com terapia manual do tecido adiposo subcutâneo apontaram melhora na estrutura do tecido, na percepção de função das pernas e no padrão observado à ultrassonografia.

Ondas acústicas: a tecnologia com estudos em lipedema

Entre os recursos tecnológicos, a terapia por ondas acústicas é a que reúne investigação específica nessa condição. Siems e colaboradores descreveram efeitos antifibroscleróticos no lipedema, com redução do estresse oxidativo e de citocinas fibrogênicas, além de melhora nas propriedades biomecânicas da pele.

Em estudo piloto mais recente, Michelini e colaboradores avaliaram ondas de choque em pacientes com lipedema estágio II e observaram redução de dor e de medidas, melhora do padrão ecográfico e aumento da elasticidade do tecido subcutâneo.

Na Clínica Leal, essa modalidade está disponível pelo X-Wave, que aplica ondas acústicas de alta energia sobre o tecido conjuntivo. Nos estudos citados, o recurso foi utilizado associado à terapia descongestiva, e não isoladamente, o que reforça seu papel de complemento dentro do plano.

Por que a avaliação define a conduta

O lipedema tem tipos e estágios, e a indicação muda conforme o quadro. A escolha dos recursos e a ordem em que entram partem de avaliação individual com acompanhamento médico, considerando estágio, sintomas predominantes e presença de componente linfático.

Entenda o quadro completo na página sobre lipedema em Campinas.

Referências

Kamamoto F, Baiocchi JMT, Batista BN, Ribeiro RDA, Modena DAO, Gornati VC. Lipedema: exploring pathophysiology and treatment strategies, state of the art. J Vasc Bras. 2024;23:e20240025.

Siems W, Grune T, Voss P, Brenke R. Anti-fibrosclerotic effects of shock wave therapy in lipedema and cellulite. Biofactors. 2005;24(1-4):275-82.

Michelini S, Musa F, Vetrano M, et al. Defocused and radial shock wave therapy, mesotherapy, and kinesio taping effects in patients with lipedema: a pilot study. Lymphology. 2023;56(1):13-26.

Atan T, Bahar-Ozdemir Y. The effects of complete decongestive therapy or intermittent pneumatic compression therapy or exercise only in the treatment of severe lipedema. Lymphat Res Biol. 2021;19(1):86-95.

Herbst KL, Kahn LA, Iker E, et al. Standard of care for lipedema in the United States. Phlebology. 2021;36(10):779-96.

Amato ACM, Amato FCM, Amato JLS, Benitti DA. Lipedema prevalence and risk factors in Brazil. J Vasc Bras. 2022;21:e20210198.

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