Hidradenite Supurativa: Diagnóstico e Tratamento em Campinas

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele que se manifesta por nódulos dolorosos, abscessos de repetição e, com a evolução, formação de trajetos fistulosos sob a pele. Atinge principalmente axilas, virilha, região perianal e áreas de dobra, como as mamas.

É uma condição frequente, com prevalência estimada em torno de 1% da população, e ao mesmo tempo uma das mais subdiagnosticadas da dermatologia. Muitas pessoas convivem anos com o quadro sendo tratado como furúnculo de repetição ou infecção isolada, recebendo antibiótico a cada crise sem que a doença de base seja identificada.

Na Clínica Leal, em Campinas, o cuidado da hidradenite supurativa está sob a condução da Dra. Roberta Giatti, dermatologista dedicada às doenças imunomediadas da pele.

Não é Falta de Higiene, e não é Infecção Simples

Vale começar desfazendo o equívoco mais comum, porque ele atrasa o diagnóstico e produz culpa desnecessária. A hidradenite supurativa não decorre de falta de higiene, nem é uma infecção transmissível.

O entendimento atual é o de uma doença inflamatória de base imunológica. O processo começa com a obstrução da unidade folicular, seguida de ruptura e de uma resposta inflamatória desregulada do próprio organismo. A infecção bacteriana, quando ocorre, é um evento secundário, e não a causa. Por isso o tratamento apenas com antibiótico a cada crise controla o episódio, mas não altera o curso da doença.

Sinais que Sugerem o Diagnóstico

Alguns achados, em conjunto, apontam para hidradenite supurativa:

  • Nódulos dolorosos e profundos, que surgem e regridem, em axilas, virilha, região perianal, nádegas ou sob as mamas.
  • Repetição no mesmo local ao longo do tempo, e não um episódio isolado.
  • Drenagem de secreção, muitas vezes com odor.
  • Comedões duplos, que são pontos escuros aos pares, na área acometida.
  • Cicatrizes endurecidas e cordões fibrosos após episódios anteriores.
  • Início frequente após a puberdade, com maior ocorrência em mulheres.


Fatores como tabagismo, excesso de peso, histórico familiar e atrito local se associam ao quadro e influenciam a evolução, ainda que não expliquem sozinhos o aparecimento da doença.

O Custo do Diagnóstico Tardio

A literatura registra intervalo de vários anos entre o início dos sintomas e a identificação correta da hidradenite supurativa. Nesse período, o paciente costuma passar por diferentes especialidades, receber drenagens sucessivas e ciclos repetidos de antibiótico.

Esse atraso tem consequência concreta. A inflamação mantida ativa por longos períodos leva à formação de fibrose, cicatrizes retráteis e trajetos fistulosos, que são alterações estruturais e não regridem com tratamento clínico. Reconhecer o padrão cedo é o que permite atuar antes que essas sequelas se estabeleçam.

Há também o peso que raramente aparece no prontuário: dor persistente, limitação de movimento, dificuldade para trabalhar e para se vestir, e o isolamento que vem do constrangimento. É comum o paciente chegar ao consultório já tendo desistido de procurar ajuda.

Como é Feita a Avaliação

O diagnóstico é clínico e depende do reconhecimento do padrão, da localização e da recorrência das lesões. Não existe exame isolado que confirme a doença.

A avaliação na Clínica Leal inclui a história detalhada dos episódios, o exame das áreas acometidas e o estadiamento da doença, que classifica a extensão e a presença de fístulas e cicatrizes. O estágio é o que orienta a escolha terapêutica: quadros iniciais e quadros avançados exigem condutas distintas.

Quando indicado, a investigação pode incluir exames complementares, avaliação de comorbidades associadas e ultrassonografia da área, útil para mapear trajetos que não são visíveis à inspeção.

Opções de Tratamento

O tratamento é definido pelo estágio, pela extensão e pelo impacto na rotina. Combina, em geral, mais de uma frente:

  • Medidas locais e tópicos: cuidados com a pele das áreas acometidas, antissépticos e antimicrobianos tópicos, indicados principalmente em quadros iniciais.
  • Terapias sistêmicas convencionais: antibióticos com ação anti-inflamatória em esquemas prolongados, que atuam sobre a inflamação e não apenas sobre a infecção, além de outras medicações sistêmicas conforme o caso.
  • Ajustes de fatores associados: manejo do tabagismo, do peso e do atrito local, que influenciam a frequência das crises.
  • Imunobiológicos: indicados em quadros moderados a graves ou refratários às terapias anteriores. Atuam de forma dirigida sobre vias específicas da inflamação. Existem hoje moléculas com indicação em bula aprovada pela Anvisa para hidradenite supurativa, disponíveis nas redes pública e privada. Saiba mais na página sobre imunobiológicos em dermatologia.
  • Procedimentos: em lesões específicas ou em áreas com fístulas estabelecidas, procedimentos podem compor o plano, sempre associados ao controle clínico da inflamação.


O objetivo do tratamento é reduzir a frequência e a intensidade das crises, controlar a dor e evitar novas sequelas. É uma doença crônica, o que significa acompanhamento continuado e ajustes ao longo do tempo, com períodos de melhor e de pior controle.

Perguntas Frequentes sobre Hidradenite Supurativa

É uma doença crônica, sem cura definitiva descrita até o momento. O tratamento busca controle sustentado, com redução de crises e prevenção de sequelas. Muitos pacientes alcançam períodos longos de estabilidade.

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